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24 de junho de 2026
Com tornozeleira e presença virtual, Bual retoma atividades na CMM sob polêmica
Política
24 de junho de 2026

Com tornozeleira e presença virtual, Bual retoma atividades na CMM sob polêmica

O vereador Rosinaldo Bual (Agir) voltou a constar na lista de presença das sessões da Câmara Municipal de Manaus (CMM) nesta semana, marcando o início do calendário legislativo de 2026. O retorno ocorre apesar do afastamento de 120 dias determinado pela Justiça em outubro de 2025, quando o parlamentar foi preso sob acusação de liderar um esquema de “rachadinha”, lavagem de dinheiro e uso de funcionários fantasmas. Na prática, Bual retomou o exercício de seu mandato.

Mesmo com por tornozeleira eletrônica, o nome de Bual consta nas atas desde segunda-feira (9), após o recesso. A manutenção do parlamentar no Legislativo Municipal foi referendada por seus próprios pares em novembro do ano passado. Por 21 votos a 11, a CMM decidiu manter o mandato do vereador em meio aos desdobramentos da Operação Face Oculta. A investigação do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) aponta que Bual comanda o esquema de desvio de salários dentro do próprio gabinete.

Bual responde por crimes como peculato, concussão, associação criminosa, lavagem de dinheiro, agiotagem e posse irregular de arma de fogo. A maioria dos vereadores defendeu sua permanência no cargo sob o argumento de que não há condenação judicial definitiva.

Embora o Regimento Interno da CMM preveja a perda de mandato por conduta incompatível com o decoro parlamentar – independentemente de sentença judicial -, a decisão política garante que Rosinaldo Bual continue recebendo o salário mensal de R$ 26 mil enquanto responde ao processo.

Em nota oficial, a CMM negou que o parlamentar esteja comparecendo fisicamente às dependências da Casa. Segundo a instituição, Bual registra presença de forma virtual, modalidade adotada durante a pandemia de Covid-19. A nota ressalta que o modelo híbrido de trabalho teria sido aprovado em primeira discussão em 2025 e segue trâmites regimentais.

Contudo, informações colhidas na CMM indicam que o vereador tem adotado uma estratégia para burlar o sistema: ele chegaria ao prédio antes do início do expediente para realizar o registro biométrico via aplicativo de reconhecimento facial, deixando o local logo em seguida, sem participar efetivamente dos debates em plenário.

Contestação

O GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (GDC) apurou que o regimento atual da CMM não permite a participação remota em sessões deliberativas. As sessões híbridas foram extintas por meio de requerimento do ex-presidente da Casa, Caio André, em 2022, após fim da pandemia. Na ocasião, a extinção do modelo remoto foi votada e aprovada em plenário.

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