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25 de junho de 2026
CPI da Saúde considera ilegal contratação de empresa que prestou serviço no hospital Nilton Lins
Amazonas
25 de junho de 2026

CPI da Saúde considera ilegal contratação de empresa que prestou serviço no hospital Nilton Lins

Depois de uma hora e meia de depoimento do Sócio-Administrador da empresa MEDPLUS Serviços Médicos Ltda., Tiago Simões Leite, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) – que investiga os gastos do governo na saúde – considerou ilegal a contratação da empresa dele, que foi realizada por meio de processo indenizatório. O não recolhimento do Imposto Sobre Serviço (ISS) e o alto valor de nota fiscal chamaram atenção dos deputados.

A Medplus, segundo os deputados, disponibilizou profissionais de UTI para plantões no Hospital Nilton Lins por contrato indenizatório no valor R$ 30 mil, a cada seis plantões. O valor por plantão saiu R$ 5 mil reais, acima do valor de mercado. Segundo a CPI, o estado paga em média R$ 1.500 pelo mesmo serviço em outros hospitais. Tiago Simões respondeu que a nota fiscal de valor de R$ 320 mil foi cancelada, e outra por R$ 169 foi reemitida em junho, depois que a CPI começou a investigar os contratos. No entanto, os deputados afirmaram que a nova nota não foi apresentada pela ouvidoria da Susam, tendo sido apenas reconhecida aquela de maior valor.

A oitiva teve início por volta das 10h desta segunda-feira (27) e faz parte dos trabalhos da CPI que investiga supostas fraudes e desvios na compra de respiradores, e contratos com dispensa de licitação. Ainda nesta segunda, está previsto o depoimento de Fábio André Monteiro Lacerda, Sócio-Administrador da empresa WF CONTROL Apoio a Gestão de Saúde e Atividades Empresariais Ltda.

Ao término da oitiva, o presidente da CPI da Saúde deputado Delegado Péricles, destacou que o empresário, por ter concordado com a prestação de serviço por processo indenizatório, corre o risco de ficar sem o pagamento, ou receber menor valor do que o combinado.

“Para nós da CPI ficou claro em relação dessa contratação ilegal, da empresa terceirizada pela Nilton Lins. Inclusive, sua própria empresa corre o risco quando presta serviço por processos indenizatórios, e como o senhor disse, aqui no Amazonas foi o único lugar que fez isso, até porque isso não existe, é ilegal, é absurdo o que se faz aqui”, pontuou.

Para o deputado, esse tipo de contratação contraria o objetivo da administração pública para contratação, que deveria ser da proposta mais vantajosa.

Na opinião do deputado Wilker Barreto, “fica claro que contrato indenizatório é uma panelinha”. Barreto, ao fim do depoimento, fez um apelo para que Tiago Leite relatasse quem o indicou a prestar serviço para o Amazonas.

“Eu acho que o senhor foi usado. Lhe prometeram uma coisa que não entregaram. É impossível o senhor ter assumido esse risco financeiro, com o seu CNPJ, e não ter sido chancelado por alguém da máquina pública desse estado”, apontou Wilker.

O deputado questionou como uma empresa faz um contrato milionário sem nenhum lastro para recebimento. Alertou ainda que “vai ficar ruim depois, porque isso tudo vai para os Ministérios Público Estadual e Federal”.

“Um contrato indenizatório para uma empresa que não conhece ninguém, teoricamente sem networking algum, se o senhor consultasse seu jurídico, ele ia falar ‘não faça, porque não temos garantia de recebimento’”, ressaltou.

Depois das considerções finais, Tiago Leite optou por não comentar sobre o apelo da comissão.

O que diz o governo

A Secretaria de Estado de Saúde (Susam)disse que não foi pago nenhum valor à empresa MEDPLUS referentes aos serviços prestados no Hospital de Combate ao Covi-19, durante o funcionamento da unidade.

A Susam afirma que todos os processos de pagamentos estão sendo auditados pela secretaria e Procuradoria Geral do Estado (PGE) e só serão efetuados mediante comprovação da prestação do serviço ora solicitado.

CPI da Saúde

A CPI foi instalada dias após o Ministério Público de Contas iniciar investigação e cobrar respostas do governo sobre a aquisição de 28 respiradores pulmonares para a rede pública de saúde no valor de R$ 2 milhões e 970 mil. O MPC informou que o custo teve uma média de R$ 106 mil e 200 por unidade.

Segundo foi constatado pela CPI, existem irregularidades na aquisição dos equipamentos.

A CPI apontou que a Susam recusou a proposta de uma empresa com preço de respiradores mais barato. Segundo informações da CPI, a empresa Sonoar, que ofereceu o valor mais acessível à Secretaria, vendeu os respiradores para a empresa FJP e Cia., que firmou o contrato com a Susam, com uma diferença de quase R$ 500 mil do valor que foi vendido para o Estado.

Operação Sangria

O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) deflagram a Operação Sangria, que bloqueou bens do governador Wilson Lima e resultou na prisão de 8 pessoas, entre elas a secretária de saúde Simone Papaiz.

A investigação do MPF e da PF apontam supostas fraudes e desvios na compra de respiradores, com dispensa de licitação, de uma importadora de vinhos — os equipamentos deveriam ser destinados ao combate ao novo coronavírus, que causa a doença Covid-19. A PF cumpriu os mandados na sede do governo do estado, na casa de Lima e na secretaria de saúde.

Fonte: G1Amazonas

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