Manaus/AM – O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), anunciou nesta segunda-feira (23), em evento realizado na capital amazonense, que é pré-candidato ao Governo do Amazonas nas eleições de 2026. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa e marcou oficialmente o início do novo projeto político do chefe do Executivo municipal.
Em discurso, Almeida afirmou que a decisão é a mais difícil de sua trajetória política, destacando o fato de ter sido eleito duas vezes para comandar a Prefeitura de Manaus. Segundo ele, a experiência acumulada na gestão municipal o credencia a disputar o governo estadual.
O prefeito afirmou que pretende expandir para todo o Amazonas projetos que, de acordo com ele, apresentaram resultados positivos na educação municipal. Entre as propostas defendidas, está o fortalecimento de políticas públicas voltadas ao ensino básico, além da ampliação de parcerias institucionais entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Manaus.
Almeida também anunciou que, a partir do mês de abril, iniciará uma série de visitas aos municípios do interior do estado. A intenção, segundo ele, é conhecer de perto a realidade da população, visitando escolas, unidades básicas de saúde e hospitais.
Durante o pronunciamento, o prefeito declarou que sua pré-candidatura tem como objetivo “livrar o Amazonas da tirania, da opressão, da intimidação, ameaça e incompetência”. Ele também mencionou questões pessoais e emocionais, revelando que recentemente enfrentou a perda do filho.
“Hoje completa 30 dias que eu perdi meu filho, mas nem por isso eu vou me acovardar. A partir de hoje eu anuncio minha pré-candidatura ao governo do estado”, declarou.
Críticas à Operação Erga Omnes
Ainda durante a coletiva, David Almeida comentou a Operação Erga Omnes, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas, que investiga o chamado “núcleo político” da facção criminosa Comando Vermelho (CV) no estado.
A operação resultou no cumprimento de 14 mandados de prisão, sendo oito no Amazonas. Entre os presos está Anabela Cardoso Freitas, ex-chefe de gabinete do prefeito, que exerceu a função entre 2021 e 2023. Segundo a investigação, o grupo contava com pessoas que ocupavam cargos ou tinham influência em órgãos públicos para facilitar a atuação da facção.
Durante a coletiva, o prefeito criticou a ação policial.
“Que operação é essa que não prendeu um traficante, não apreendeu um carro, um quilo de droga?! Essa operação é tão autêntica quanto uma nota de 300”, afirmou.
Almeida declarou ainda que acredita que a operação tem motivação política e tenta prejudicar sua imagem. “O que está em andamento é uma operação para me sujar. Não tem nada a ver com tráfico de drogas. Vou provar a minha inocência”, disse. O prefeito não é alvo nem investigado na operação.
Sobre Anabela, ele afirmou confiar na inocência da ex-assessora e disse que ela continua sendo uma pessoa de sua confiança. O prefeito também declarou que, se necessário, ajudará a custear a defesa da ex-chefe de gabinete.
De acordo com as investigações, Anabela teria movimentado cerca de R$ 1,5 milhão para a facção por meio de empresas de fachada. Questionado sobre o valor, Almeida afirmou que a quantia é compatível com a renda da investigada, considerando o salário como servidora pública e a pensão recebida como viúva de um ex-deputado.
Anabela, que é servidora concursada da Polícia Civil desde 2011, permanece presa no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP). O Estatuto do Policial Civil do Amazonas prevê que agentes da corporação tenham direito a recolhimento em unidade privativa da instituição enquanto não houver sentença definitiva.
Com o anúncio da pré-candidatura e as declarações sobre a operação policial, o cenário político no Amazonas começa a se movimentar antecipadamente para a disputa eleitoral de 2026.
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