O estado do Amazonas tem enfrentado um aumento preocupante no número de processos judiciais movidos por políticos contra jornalistas e órgãos de comunicação. De acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que analisou os processos judiciais contra jornalistas nas eleições de 2022, o Amazonas lidera o ranking nacional com o maior número de casos. Os ex-candidatos ao governo do estado, Eduardo Braga (MDB) e Amazonino Mendes (Cidadania), foram os que mais entraram com representações eleitorais em todo o Brasil, com 11,4% e 4,5% das ações, respectivamente.

A censura e o assédio judicial são práticas que comprometem a democracia e a liberdade de imprensa. Quando políticos utilizam o poder judiciário para silenciar jornalistas e veículos de comunicação que divulgam informações incômodas ou críticas, a sociedade como um todo é prejudicada. A imprensa desempenha um papel fundamental na fiscalização dos atos dos governantes e na divulgação de informações de interesse público. Portanto, ações judiciais abusivas contra jornalistas representam um ataque à democracia e à transparência.
No Amazonas, além de liderar o ranking de políticos com o maior número de ações judiciais contra jornalistas e veículos de comunicação, o estado também se destaca como o local onde ocorrem a maioria desses processos. Segundo a pesquisa da Abraji, os processos movidos por políticos e partidos no estado representam 26,51% do total de casos no Brasil.
Líderes do ranking de ações judiciais no Amazonas
Entre os políticos amazonenses que mais entraram com processos judiciais estão Eduardo Braga e Amazonino Mendes. O emedebista ocupa o primeiro lugar, com 13,4% das ações deferidas pela Justiça, enquanto Amazonino Mendes aparece em segundo lugar, com 6,1%. Essas cifras mostram a preocupante tendência de políticos utilizarem processos judiciais como forma de intimidação e retaliação contra jornalistas e veículos de comunicação.
Outro político que recebe destaque no ranking é o ex-presidente Jair Bolsonaro, do Partido Liberal (PL). Bolsonaro teve 3,8% das ações judiciais movidas por políticos, mostrando que essa prática não está restrita a um único espectro político.
Veículos de comunicação mais acionados no Amazonas
Além dos políticos, a pesquisa também identificou os veículos de comunicação mais acionados judicialmente no Amazonas. Entre eles, destaca-se a empresária Cileide Moussalem Rodrigues, que responde a 20 processos, 10 dos quais movidos contra o seu portal CM7 e 10 contra a própria empresária. Ronaldo Tiradentes, por sua vez, acumula 19 processos, sendo 10 dirigidos ao jornalista e 9 à empresa Rede de Rádio e TV Tiradentes.
Esses dados revelam a necessidade urgente de garantir a liberdade de imprensa e a proteção dos jornalistas no exercício de sua função. O jornalismo investigativo desempenha um papel vital na denúncia de corrupção, má gestão e violações de direitos. Quando políticos utilizam o poder judiciário como forma de pressão e intimidação, a liberdade de imprensa é seriamente comprometida, colocando em risco a democracia brasileira.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) é uma entidade que luta pela liberdade de imprensa e pela proteção dos jornalistas. Através de pesquisas como essa, a Abraji busca evidenciar o impacto negativo da censura e do assédio judicial na democracia brasileira. Além disso, a associação atua na defesa dos jornalistas, oferecendo suporte profissional e jurídico, e promovendo a conscientização sobre a importância do jornalismo investigativo.
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