Especialistas apontam que críticas de Lula ao uso excessivo de celulares e às redes podem afastar parte do eleitorado conectado. O presidente já afirmou, em diferentes ocasiões, que não usa telefone celular e critica o hábito de checar o aparelho logo ao acordar.
Levantamento da consultoria Bites, feito a pedido da Folha de S.Paulo, analisou o desempenho digital de 2022 a 2026. A métrica usada foi a “tração”, que mede o crescimento de perfis e o nível de interações — curtidas, comentários e compartilhamentos.
No início do período, quem dominava as redes era o ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos últimos meses, porém, Flávio passou a ganhar destaque após ser anunciado como candidato, assumindo papel mais central no bolsonarismo.
Desde dezembro, Flávio ganhou cerca de 3,4 milhões de seguidores, enquanto Lula acrescentou 378 mil. Segundo a consultoria, o senador já apresenta taxas de crescimento semelhantes às que Bolsonaro tinha no auge.
Aliados atribuem a ascensão ao interesse do público em conhecer o herdeiro político do ex-presidente. Nas redes, Flávio tem mostrado viagens e encontros internacionais, como conversas com o presidente da Argentina, Javier Milei, e a participação na posse do presidente do Chile, José Antonio Kast.
Apesar do avanço digital, Lula ainda lidera nas pesquisas. Levantamento do Datafolha aponta o petista com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 32% de Flávio. Em um eventual segundo turno, há empate técnico: 46% para Lula e 43% para Flávio.
Especialistas em marketing digital avaliam que a presença pessoal do candidato nas redes é decisiva. Enquanto os conteúdos de Lula são mais produzidos e institucionais, Flávio costuma gravar vídeos de forma direta, o que gera maior sensação de autenticidade.
No governo, Lula também tem defendido a regulamentação das redes sociais e das big techs, além de regras para o uso de inteligência artificial.
Folhapress
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