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24 de junho de 2026
Governo Lula vende mais de 453 mil hectares de floresta no Amazonas
Política
24 de junho de 2026

Governo Lula vende mais de 453 mil hectares de floresta no Amazonas

O governo federal leiloou, na última quarta-feira (21), uma área de mais de 453 mil hectares da Floresta Nacional de Jatuarana, localizada no município de Apuí, no sul do Amazonas. A medida integra a política de concessões florestais sustentáveis, promovida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, sob comando da ministra Marina Silva, em parceria com o Serviço Florestal Brasileiro e apoio técnico do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A iniciativa promete arrecadar R$ 32,6 milhões por ano, além de garantir contrapartidas sociais obrigatórias ao longo de um contrato de 37 anos. O leilão teve como foco a exploração ambientalmente responsável dos recursos naturais da floresta, com limites e critérios bem definidos para evitar danos ao bioma amazônico.

Modelo de concessão com foco socioambiental

O território concedido foi dividido em quatro Unidades de Manejo Florestal (UMFs), segmentadas com base em critérios ecológicos e socioeconômicos. A estratégia busca melhorar a gestão técnica das áreas e garantir que empresas atuem com compromisso ambiental. Os editais exigiram ofertas financeiras e propostas técnicas avaliadas por critérios ambientais, sociais e econômicos.

Empresas vencedoras e compromissos

A OC Prime Comércio e Industrialização de Madeiras arrematou a maior área, com mais de 176 mil hectares, oferecendo outorga de R$ 4 milhões e proposta com foco em benefícios sociais e ambientais.

A segunda maior área, com cerca de 195 mil hectares, foi conquistada pela Duart da Silva Ltda., com proposta de R$ 5 milhões.

As unidades três e quatro, com aproximadamente 39 mil e 43 mil hectares, foram arrematadas pela Brasil Tropical Pisos, com valores superiores a R$ 2,2 milhões por área e propostas alinhadas à bioeconomia.

Uso restrito e proteção da biodiversidade

Apesar da concessão, o uso das áreas será rigidamente regulado. É permitida apenas a exploração sustentável de madeira em tora e de produtos florestais não madeireiros como palmito, açaí, castanha-do-pará e óleo de copaíba. Estão proibidas atividades como caça, pesca, mineração e uso industrial da biodiversidade. As empresas deverão investir R$ 40,7 milhões em projetos para comunidades tradicionais e indígenas.

Repercussão local e nacional

A ministra Marina Silva celebrou o resultado como exemplo de “desenvolvimento com responsabilidade ambiental”, reforçando o papel do Brasil na conservação da Amazônia.

O cacique Leocir Carijó, da aldeia Crixi Mu’üy’bã, também comemorou: “Estamos felizes, porque isso vai alavancar a economia local e trazer oportunidades para nosso povo.”

O modelo de concessão florestal é uma das apostas do governo Lula para conciliar preservação da floresta com geração de renda, especialmente em áreas vulneráveis à grilagem e ao desmatamento ilegal.

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