Manaus amanheceu praticamente encoberta pela fumaça nesta quarta-feira (23). O cenário, que já vinha se repetindo nos últimos dias, ganhou ainda mais força e atingiu o pior nível de qualidade do ar registrado na capital em 2026.
Às 6h, uma estação localizada na zona Sul registrou 286,2 microgramas de partículas por metro cúbico, índice classificado como “péssimo” pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). O sistema monitora, em tempo real, a concentração de poluentes na atmosfera.
O problema não está restrito a um único ponto. Das 12 estações monitoradas pela UEA, oito registravam qualidade do ar péssima durante a manhã. Em três locais, a concentração de partículas ultrapassava os 200 µg/m³.
O agravamento acontece justamente após um dia de calor extremo. Na terça-feira (22), Manaus registrou 38,6°C, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). No Aeroporto de Manaus, a temperatura passou dos 39°C.
FUMAÇA E CALOR AGRAVAM O CENÁRIO
A combinação entre altas temperaturas, estiagem e fumaça deixa o ar ainda mais preocupante para quem precisa sair de casa.
A Prefeitura de Manaus alerta que a exposição à fumaça pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, além de agravar problemas pulmonares e cardiovasculares. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias estão entre os grupos mais vulneráveis. (Portal do Governo de Manaus)
O cenário na capital acompanha o avanço das queimadas no Amazonas. Dados do Programa Queimadas, do Inpe, mostram o crescimento das ocorrências no Estado ao longo de 2026. O órgão mantém o monitoramento dos focos de incêndio por meio de dados de satélite. (BIG)
No Sul do Amazonas, municípios como Apuí, Novo Aripuanã, Manicoré e Lábrea concentram parte importante dos focos. Em documento divulgado neste mês, o Ministério Público de Contas do Amazonas também apontou o avanço das queimadas na região e o transporte da fumaça até Manaus. (MPC AM)
ALERTA PARA A POPULAÇÃO
Com a piora da qualidade do ar, a recomendação é reduzir a exposição à fumaça, principalmente durante os períodos em que os índices de poluição estiverem mais elevados.
A situação também aumenta a pressão sobre os órgãos públicos responsáveis pelo monitoramento, prevenção e combate às queimadas. A Defensoria Pública do Amazonas já vem cobrando medidas para reduzir os impactos da fumaça sobre a população da capital e do interior. (Defensoria Pública do Estado do Amazonas)
Enquanto os focos continuam avançando no interior do Estado, Manaus sente os efeitos diretamente: céu encoberto, visibilidade reduzida e um ar que, nesta quarta-feira, atingiu o pior nível de 2026.
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