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25 de junho de 2026
<strong>Mulher é condenada a 100 chibatadas após denunciar abuso sexual no Qatar</strong>
Mundo
25 de junho de 2026

Mulher é condenada a 100 chibatadas após denunciar abuso sexual no Qatar

Uma mexicana que trabalhava em uma empresa ligada à organização da Copa do Mundo de 2022 foi condenada a sete anos de prisão e 100 chibatadas após denunciar ter sido vítima de abuso sexual no Qatar.

Paola Schietekat, 27, atuava como economista na Supreme Committee for Delivery and Legacy, entidade responsável por obras de estádios e infraestrutura do próximo Mundial da FIFA. 

Mas sua jornada no projeto foi interrompida em 6 de junho do ano passado, quando um homem invadiu seu dormitório em Doha, capital do país, enquanto a mulher dormia.

Schietekat decidiu denunciar a violência que sofreu às autoridades do Qatar, mas a corte do país voltou o caso contra a mexicana, liberando seu agressor e sentenciando a economista a sete anos de prisão por manter uma “relação extraconjugal” com o homem, segundo relatou reportagem do jornal espanhol El País. 

Vítima de outro abuso sexual aos 17 anos, a mulher foi à uma delegacia no dia seguinte à agressão, acompanhada do então consul do México no Qatar, Luis Ancona. Os dois foram até o local munidos de uma série de provas: um laudo médico e fotos de manchas roxas deixadas pelo homem nos braços, ombros e costas da vítima.

“Quando me perguntaram se eu queria uma ordem de restrição, não fazer nada ou ir até as últimas instâncias eu congelei, pelo choque, por medo e por falta de sono. Voltei a consultar o cônsul, que recomendou ir até o fim”, lembrou a mexicana em um texto publicado em 8 de fevereiro pelo jornalista Julio Astillero, conterrâneo da economista. 

Horas depois de decidir manter as acusações, Schietekat foi convocada pelos investigadores, sendo colocada frente a frente com seu agressor, que afirmava que ele e a mulher já mantinham um relacionamento amoroso.

Com as declarações do homem, a mulher deixou de ser tratada como vítima de estupro e passou a ser acusada de manter uma relação extraconjugal. 

A sharia, ou lei islâmica, continua sendo levada em conta nas punições por adultério no Qatar, prevendo a pena de 100 chibatadas e sete anos de cárcere para as pessoas condenadas. 

Schietekat se converteu ao islamismo durante a adolescência, mas mesmo mulheres não muçulmanas estão sujeitas a castigos. 

o Supreme Committee for Delivery and Legacy intermediou a saída emergencial da jovem do Qatar. Em 25 de julho de 2021, pouco mais de um mês depois do abuso, a economista voltou ao México.

Na casa de familiares na Cidade do México, ela recebeu a notícia de que o homem que havia denunciado foi absolvido das acusações, já que não havia câmeras para provar que ele atacou a mulher.

Fonte: UOl

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