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03 de junho de 2026
Pesquisadores elegem vacina como a melhor estratégia para vencer a Covid-19
COVID-19
03 de junho de 2026

Pesquisadores elegem vacina como a melhor estratégia para vencer a Covid-19

Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

MUNDO – A ciência nunca produziu tantos estudos sobre um tema em um espaço de tempo tão curto como agora. No Google Scholar, versão do site que busca artigos acadêmicos, há 1.650 sobre a Covid-19, número que aumenta todos os dias. Ao mesmo tempo, a plataforma norte-americana ClinicalTrials.gov, que registra ensaios clínicos (pesquisas feitas com humanos) em andamento contabiliza 460 deles. No Brasil, há seis projetos listados no Registro Brasileiro de Ensaios Clínico. Esse escopo foi analisado, agora, por pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, que tentaram identificar quais das estratégias estudadas no mundo todo parecem as mais promissoras.
Os pesquisadores, que publicaram um artigo com esses dados na revista Frontiers in Microbioloby, elegeram as vacinas como o principal meio de combate à Covid-19. Já como abordagem terapêutica para o tratamento de infectados, a equipe avaliou que determinados antivirais, como o remdesivir — desenvolvido originalmente para ebola e que tem mostrado sucesso em ensaios clínicos —, devem ser a melhor opção. Terapias genéticas e infusão de plasma também foram avaliadas pelos cientistas da universidade norte-americana.

De acordo com a equipe, o objetivo da revisão sistemática é fornecer ferramentas para a comunidade científica lidar não apenas com o Sars-Cov-2, mas com outros vírus zoonóticos — transmitidos por animais — que, fatalmente, surgirão. “Industrialização, globalização e hábitos culturais tradicionais potencializam a probabilidade de transmissão de zoonoses e facilitam a propagação de vírus na população”, diz Ralph Baric, professor do Departamento de Epidemiologia da instituição e um dos autores do estudo. “Enquanto novos surtos de vírus emergentes são inevitáveis, cientistas, epidemiologistas e o setor de saúde devem correr para desenvolver novas tecnologias que prevejam melhor e minimizem o impacto de uma epidemia, por meio de programas globais de vigilância e desenvolvimento de vacinas e antivirais.”
De acordo com Baric, o estudo, que ficará aberto à comunidade científica,  “fornece um recurso abrangente de possíveis linhas de ataque contra o Sars-Cov-2 e coronavírus relacionados, incluindo os resultados de todos os ensaios clínicos e pré-clínicos até agora em vacinas contra os vírus da  Sars e da Mers”. Esses dois últimos emergiram em epidemias em 2003 e 2012, respectivamente, e apresentam um alto grau de semelhança com o causador da Covid-19. Por isso, tratamentos e imunizações que vinham sendo pesquisados para enfrentá-los também estão sendo testados para o novo coronavírus.
Contudo, Baric alerta que a abordagem mais promissora para o desenvolvimento de uma vacina para a Covid-19 provavelmente não funcionará para o Sars-Cov, causador da síndrome respiratória aguda grave (Sars). Isso porque, apesar dos RNAs dos vírus serem bastante próximos, o mesmo não se pode dizer da sequência genética de um dos principais alvos para o ataque ao novo coronavírus: a proteína S. Tanto o Sars-Cov-2 quanto seu antecessor Sars-Cov têm essa proteína, a spike, que desempenha um papel essencial na infecção das células humanas.
Localizada na parte externa do vírus, a spike se junta a um receptor presente na membrana celular do hospedeiro, que não reconhece a S como um inimigo, e permite que ele penetre a estrutura e comece o ciclo de replicação. Devido a esse papel essencial, a proteína é o alvo preferencial não só de vacinas, mas de outras terapias em andamento. Porém, a sequência de aminoácidos da S difere muito nos dois vírus, com um grau de similaridade entre 76% e 78%. “Vacinas com essa abordagem desenvolvidas para uma cepa específica (Sars-Cov ou Sars-Cov-2) provavelmente não funcionarão para a outra”, observa Baric.
Das vacinas desenvolvidas especificamente para o Sars-Cov-2 que têm a proteína spike como alvo, os pesquisadores consideram como uma das mais promissoras a da Moderna, empresa californiana de biotecnologia. A substância já vem sendo testada em hospitais norte-americanos. “Apesar de ainda não terem estudos publicados sobre ela contra o coronavírus, a vacina de RNA tem funcionado bem para doenças infecciosas, como influenza e raiva, em modelos animais”, diz Baric.
Fonte: Correio Brasiliense

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