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23 de outubro de 2026
Silves lança Projeto Tucunaré Vivo para combater a pesca predatória e alavancar o ecoturismo
Amazonas
23 de outubro de 2026

Silves lança Projeto Tucunaré Vivo para combater a pesca predatória e alavancar o ecoturismo

O município de Silves (AM), localizado a cerca de 300 quilômetros de Manaus, está diante de um profundo desafio ambiental e econômico, mas também de uma oportunidade histórica. Cercado por mais de 150 quilômetros de rios, lagos e igarapés preservados, o local é reconhecido internacionalmente pela tradição de três décadas no turismo de pesca e por abrigar um verdadeiro ícone da biodiversidade amazônica: o tucunaré-açu.

No entanto, estes recursos enfrentam uma pressão crescente. A pesca predatória com arpão e a comercialização irregular da espécie nos mercados locais — onde o quilograma do tucunaré chega a ser vendido por apenas R$ 15,00 — ameaçam dizimar o patrimônio natural da região. A retirada seletiva de exemplares altera a genética dos peixes e compromete diretamente o futuro do turismo, da economia e da segurança alimentar das comunidades tradicionais.

Para reverter esse cenário, nasce o Projeto Tucunaré Vivo, uma iniciativa integrada idealizada pela Prefeitura Municipal de Silves em parceria com a Confederação Brasileira de Pesca Esportiva (CBPE). O argumento central do Tucunaré Vivo se sustenta em números expressivos que revelam o tamanho do mercado que o município está em risco de perder — e o retorno gigantesco que a conservação pode trazer:

Mercado global e nacional: A pesca esportiva no mundo já movimenta cerca de US$ 200 bilhões por ano, segundo dados do Banco Mundial. Apenas no Brasil, a atividade movimenta mais de R$ 3 bilhões anuais, atraindo um universo de aproximadamente 9 milhões de pescadores, sendo que 93% deles pertencem às classes A, B e C.


Cadeia econômica beneficiada: Com uma temporada de pesca de aproximadamente seis meses por ano, o fluxo de visitantes aquece toda a rede hoteleira, pousadas, barcos-hotel, restaurantes, o comércio local, o transporte fluvial com piloteiros e os guias de pesca comunitários.


Metas da primeira fase: O projeto já planeja ações concretas de impacto imediato, incluindo a distribuição gratuita de 500 réguas de medição oficiais para comunidades ribeirinhas e operadoras de turismo, a meta de receber 1.000 vídeos de soltura, engajar mais de 300 pescadores participantes e garantir a devolução viva de 100% dos exemplares registrados, culminando na publicação e atualização contínua do inédito Mapa da Pesca de Silves.

O lançamento da iniciativa reuniu lideranças comprometidas com o futuro sustentável da Amazônia. “O Projeto Tucunaré Vivo é um projeto referência que vai ajudar muito o turismo de pesca esportiva aqui na região. É um projeto social, ambiental e econômico, que vai fazer com que os ribeirinhos se envolvam em proteger o tucunaré, que é um patrimônio aqui do Amazonas que, infelizmente, em alguns momentos é destruído. A ideia é envolver os comunitários para proteger o tucunaré, para ele ser uma referência para trazer mais turistas e mais pescadores para o Amazonas e para a cidade de Silves. Sem dúvida nenhuma, vai melhorar muito a pesca esportiva da região, e a gente torce para que esse projeto seja replicado em vários outros municípios do Amazonas e, quem sabe, do Brasil.” — Eduardo Pura

A visão de preservação aliada à justiça social também é reforçada por gestores locais que acompanham de perto a realidade dos rios e das famílias ribeirinhas: “Preservar o tucunaré, no caso o tucunaré-açu, que é o nosso rio, o nosso município tem muita população que depende do tucunaré-açu, é fundamental para que o turismo cresça, o turismo de pesca esportiva cresça, gere renda e oportunidade para as pessoas, para o ribeirinho que se engaja no projeto, para a questão turística, para a questão ambiental, né, para a sustentabilidade econômica do nosso município.” — Yuri Nascimento


COMO FUNCIONA O CICLO

O coração do projeto baseia-se em um ciclo simples baseado em quatro etapas e pode ser aplicado por qualquer pescador em Silves, unindo ciência cidadã e tecnologia:


  1. Captura e Medição: O pescador captura o exemplar e utiliza a régua oficial padronizada do projeto.

  2. Filmagem: O momento da medição e as boas práticas de manuseio são registrados em vídeo.

  3. Soltura: O tucunaré é devolvido vivo ao rio, garantindo a preservação da espécie (catch & release).

  4. Envio e Reconhecimento: O material é enviado à organização, alimentando o banco de dados do Mapa da Pesca de Silves e concorrendo a premiações em dinheiro, equipamentos de pesca, camisetas exclusivas e brindes mensais.

    Com o apoio de parcerias institucionais com ministérios federais, governo estadual e o Instituto Federal do Amazonas (IFAM), além de cotas de patrocínio privado, Silves dá um passo decisivo para garantir que seus rios continuem vivos, produtivos e gerando prosperidade para as futuras gerações.
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