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25 de junho de 2026
Temperatura em lago no AM chegou a 40ºC em dia com pico de morte de botos; instituto soma 125 mortes
Amazonas
25 de junho de 2026

Temperatura em lago no AM chegou a 40ºC em dia com pico de morte de botos; instituto soma 125 mortes

AM- A temperatura do Lago Tefé, no interior do Amazonas, pode ter sido um dos fatores que provocou a morte de mais de 100 botos. Pesquisadores do Grupo de Pesquisas em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá constaram que a temperatura da água chegou a 40ºC no dia de pico de mortes. 

Até o momento, os pesquisadores contabilizaram a morte de 125 botos, no Lago Tefé.

De acordo com os pesquisadores do Instituto Mamirauá, as medições feitas no lago na quinta-feira (28), quando 90 carcaças de botos foram encontradas, mostram que a temperatura da água chegou a 40°C, em uma profundidade de três metros.

Até então, a temperatura média histórica mais alta no Lago Tefé era de 32°C. 

Os cientistas acreditam que o aquecimento da água tenha provocado a proliferação de algum patógeno – organismo – que adoeceu os animais.

“Certamente essa mudança climática, essa temperatura alta, está afetando os animais. Se é um caso de hipertermia [calor] ou se tem alguma outra causa associada, nós ainda não sabemos. Se pode haver poluição envolvida, pode haver um agente infeccioso, algum fitoplâncton, alga na água que tenha se proliferado pelo calor e afetado os animais”, explicou a líder do Grupo de Pesquisas em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá, Miriam Marmontel.

Para a pesquisadora, o número de animais mortos no Lago Tefé revela um cenário preocupante. 

“Eu fiquei extremamente chocada. Eu acho que todo mundo que está presenciando isso está muitíssimo preocupado, porque se trata de duas espécies ameaçadas de extinção, símbolos da Amazônia, e que nós estamos presenciando uma mortalidade muito grande com relação à abundância que é disponível no Lago Tefé”, relatou. 

Redução do nível

De acordo com o pesquisador Ayan Fleischmann, que também atua no Instituto Mamirauá, a redução do nível da água no lago pode continuar até a metade do mês de outubro, podendo afetar diretamente ribeirinhos e os animais. 

“Temos aí algumas semanas de preocupação e depois, claro, até o nível recuperar mais outras semanas”, afirmou o pesquisador.

A causa das mortes dos mais de 100 botos no Lago Tefé, no interior do Amazonas, também está sendo investigada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

O órgão mobilizou equipes de veterinários e servidores do Centro de Mamíferos Aquáticos (CMA) e da Divisão de Emergência Ambiental, além de instituições parceiras, para resgatar os animais encalhados. 

“O ICMBio segue reforçando as ações para identificar as causas e, com isso, adotar medidas para proteger as espécies”, informou o instituto, no domingo (1°).

Retirada de animais vivos

Conforme o Instituto Mamirauá, para tentar diminuir os danos, é realizada uma ação emergencial para a retirada dos animais ainda vivos. 

  • Ações de monitoramento dos animais ainda vivos
  • Busca e recolhimento de carcaças
  • Coletas de amostras para análises de doenças e da água
  • Monitoramento das águas do lago, incluindo a temperatura da água e batimetria dos trechos críticos

As ações são realizadas em parceria com a prefeitura de Tefé, o ICMBio e a Defesa Civil. A última contagem da população desses animais, feita anos atrás, indica que há em torno de 800 e 900 botos e 500 tucuxis na região.

Seca na Amazônia

A estiagem na Amazônia é causada pela combinação de dois fenômenos: o El Niño e o aquecimento das águas do oceano Atlântico Tropical Norte. 

A situação é considerada mais crítica no Rio Juruá, por ser o rio mais sinuoso do mundo. Ele nasce no Peru e banha os estados do Acre e do Amazonas.

Informações G1 Amazonas/ Foto Reprodução


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