Uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil paulista deflagrou a Operação Última Parada, que resultou na prisão de três alvos, entre eles o vereador Senival Pereira de Moura (PT), além de dois integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com o MPSP, o parlamentar seria uma das figuras centrais do núcleo de lavagem de dinheiro da facção, também ligado aos esquemas investigados na Operação Carbono Oculto.
Segundo a investigação, a empresa de ônibus Transunião Transportes S.A. seria utilizada para ocultar patrimônio e movimentar recursos da facção criminosa. Vereador em seu sexto mandato, Senival é primeiro-secretário da Mesa Diretora e presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica.
A investigação foi iniciada após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da companhia, em 2020. Segundo o Ministério Público, foram reunidas provas de que a concessionária, que apenas em 2025 recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema de transporte público paulistano, era utilizada pelo Primeiro Comando da Capital para a prática de lavagem de dinheiro.
Núcleo paralelo
O Ministério Público e a Polícia Civil apontam que ficou comprovada, ao longo da investigação, a existência de um núcleo paralelo responsável pelas decisões da empresa, incluindo a transferência de recursos para integrantes da organização criminosa. Além disso, segundo os investigadores, a mudança societária da companhia também teria origem ilícita. O capital social da empresa saltou de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões, sem que a origem desses recursos fosse esclarecida.
Outro fator que chamou a atenção do MPSP e da Polícia Civil foi o fato de o circuito financeiro utilizado para a lavagem de dinheiro identificado na Operação Última Parada apresentar pontos de contato com os esquemas investigados nas operações Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi. Esta última foi deflagrada pela Polícia Federal e teve como foco o tráfico internacional de drogas envolvendo o PCC e a ‘Ndrangheta, organização mafiosa sediada na Itália.
Em 2024, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou a Operação Fim da Linha, que desarticulou duas organizações criminosas responsáveis por lavar recursos ilícitos do PCC provenientes do tráfico de drogas, roubos e outros crimes por meio das empresas de ônibus UPBus e Transwolff.
Juntas, as duas concessionárias transportam cerca de 700 mil passageiros por dia na capital paulista e receberam mais de R$ 800 milhões da Prefeitura de São Paulo pela prestação do serviço de transporte coletivo em 2023.
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