Brasil – Filho de Marcinho VP, ex-líder do Comando Vermelho, o rapper Oruam se pronunciou nas redes sociais após a megaoperação policial que parou o Rio de Janeiro na última terça-feira (28). A ação, considerada a mais letal da história da cidade, deixou mais de 130 mortos, segundo balanço das forças de segurança. Na manhã seguinte, imagens de dezenas de corpos expostos na Praça São Lucas causaram comoção e revolta nas redes.
Em tom de indignação, Oruam gravou um vídeo e compartilhou a letra de uma música escrita em reação à chacina. No registro, ele se apresenta e faz duras críticas à condução das políticas de segurança pública:
“28 de outubro de 2025 aconteceu a maior chacina da história do Rio de Janeiro.
Meu nome é Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, mais conhecido como Oruam.
Eu sou filho do Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP.
Eu sou reflexo da sociedade, meu pai é reflexo da sociedade.
E o bandido que tá apontando pistola e fuzil também é reflexo da sociedade.”
O rapper ainda afirmou que a mídia e a política exploram o tema da violência para gerar engajamento e lucro:
“A mídia descobriu que matar bandido vende muito.
Essa é a política que mais vende no Rio e no Brasil: a de matar bandido.
A sociedade gosta de banho de sangue.
Usa o bandido como vilão pra esconder os verdadeiros criminosos, que estão nas mansões e pagam o governo pra não serem vistos.
O crime não tá só na favela — tá no governo, nas câmaras, em Brasília.
O favelado é só reflexo da sociedade.”
A megaoperação
A operação, comandada pelas Polícias Civil e Militar do Rio, teve como alvo integrantes do Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha. Com a presença de 2,5 mil agentes, o confronto se espalhou por diversos pontos da capital fluminense.
O governador Cláudio Castro (PL) classificou a ação como “a maior operação das forças de segurança do Rio de Janeiro”, mas enfrentou fortes críticas de entidades e internautas, que apontam excesso de violência e possíveis violações de direitos humanos.
O caso segue repercutindo em todo o país e reacende o debate sobre segurança pública, desigualdade e a atuação do Estado nas favelas.
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