A denúncia de falta de atendimento no Hospital Santa Júlia, na região Central de Manaus, ganhou força nesta segunda-feira (12) após um vídeo divulgado por familiares de um menino de três anos. Na gravação, a mãe aparece caminhando pelos corredores da unidade com a criança inconsciente no colo, enquanto procura alguém que possa socorrê-lo. A imagem, curta e angustiante, foi registrada pelo pai, Isael dos Anjos, que afirma ter encontrado apenas um segurança na entrada do hospital — e nenhum profissional de saúde nas áreas de triagem e emergência pediátrica.
O menino chegou ao hospital em convulsão e desacordado. Em vez de ser imediatamente levado para atendimento, a família relata ter percorrido o prédio apenas para constatar setores vazios e portas fechadas.
Pai afirma que médicos só apareceram após filmagem
Segundo Isael, a médica plantonista só apareceu depois que ele passou a gravar a situação e elevar o tom de cobrança.
O vídeo, divulgado nas redes e já circulando com forte repercussão, mostra a mãe entrando e saindo de salas vazias, tentando encontrar ajuda enquanto a criança permanece imóvel em seu colo. O registro dura poucos segundos, mas resume um quadro que o pai descreve como absoluta ausência de atendimento pediátrico naquele momento.
Unidade já vinha sendo questionada por caso anterior
O episódio reacende críticas ao Hospital Santa Júlia, o mesmo que recebeu o menino Benício Xavier, que morreu em novembro de 2025 após receber dose elevada de adrenalina — um erro apontado pela investigação como parte de uma sequência de falhas no atendimento.
A lembrança do caso aumentou a pressão pública sobre a unidade, sobretudo porque, à época, o hospital prometeu adotar novos protocolos e ampliar a segurança assistencial.
Agora, apenas dois meses depois, uma nova família relata que chegou com uma criança em estado crítico e não encontrou equipe disponível.
Outro lado
Em nota enviada à imprensa, o Hospital Santa Júlia contestou as afirmações do pai e disse que houve assistência prestada de forma imediata, com adoção das condutas clínicas indicadas.
A unidade não explicou, porém, por qual razão a família circulou pelos corredores com a criança desacordada sem encontrar profissionais visíveis, nem comentou a alegação de que a médica só teria aparecido após a gravação começar.
“Em relação ao atendimento ocorrido em suas dependências, o Hospital Santa Júlia informa que houve assistência prestada de forma imediata pela equipe médica e de enfermagem, com adoção de todas as condutas indicadas conforme avaliação clínica”, escreveu a unidade em nota.
Fonte: AM POST
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