A cobertura de guerras é uma especialidade do jornalismo restrita a poucos profissionais e cercada de lendas. “É um universo pequeno. Quando você chega aqui, você encontra os amigos. Tem muita gente conhecida”, diz Yan Boechat, enviado especial da Band à Ucrânia. “O objetivo de todo mundo que está aqui não é contar o que está acontecendo nos gabinetes, mas o que acontece na vida real, como impacta a vida das pessoas”.

A primeira vez que Boechat acompanhou um conflito armado foi em 2003. “Estava no Irã, tentei entrar no Iraque, não consegui. E fui para o Afeganistão”. Desde então, já cobriu guerras ou conflitos que colocam vidas e direitos humanos em risco na Tunísia, Egito, Congo, Síria e Ucrânia, entre outros lugares. Entre 2016 e 2017, morou no Iraque.
Neste domingo (13), Yan Boechat fez exatamente o mesmo percurso que o documentarista americano Brent Renaud, morto a tiros nas proximidades de Irpin. “É muito triste porque ele morreu de forma muita estúpida. Ele não estava numa situação de combate, ou na proximidade de um, se arriscando a fazer imagens numa área muito perigosa. Não. Ele morreu fazendo o que eu fiz hoje duas vezes e fiz várias vezes nos últimos dias e dezenas de jornalistas fizeram”.
Questionado sobre como lida com o medo, Boechat ensinou: “Tem que manter a tranquilidade. E aceitar a ideia que pode dar errado. Se você não aceitar a ideia que pode dar errado, que você pode morrer, aí é que pode bater o desespero”.
Fonte: UOl
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