Manaus/AM– O apresentador Willace Souza iniciou o programa Sinal Livre de forma diferente e protestante na tarde desta quinta-feira (20), na Band Amazonas. Em ato de silêncio ele repudiou de forma singela a censura que a imprensa vem sofrendo.

Com a boca coberta por um pano, frases em um papel, e a bandeira do Brasil sobre os ombros, Willace demonstrou de forma metódica apoio aos veículos de comunicação que estão enfrentando pressão impostas pelo Tribunal Superior de Justiça (TSE).
“Estimamos aos nossos colegas que não desistam de lutar por uma imprensa livre. Diga não a Censura.”
Veja:
Censura na imprensa brasileira
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou, num pedido feito pela campanha de Lula (PT), a remoção do ar de todas as plataformas da Jovem Pan de peças publicitárias de campanha eleitoral, feita por adversários, com a temática “Lula mais votado em presídios” e “Lula defende o crime”.
Por 4 votos a 3, os ministros decidiram que os jornalistas da emissora não podem falar sobre o assunto, sob pena de multa diária para o canal e para os jornalistas de R$ 25 mil.
Em razão desta decisão, a Jovem Pan enviou um comunicado aos comentaristas da emissora determinando que algumas expressões que possam ser consideradas ofensivas a Lula não serão mais permitidas em programas da casa.“Ex-presidiário”, “Descondenado”, “Ladrão; Corrupto” e “Chefe de organização criminosa”, são alguns termos que não podemos mais ser usados por comentaristas da emissora.
Já na terça-feira (18), o ministro Benedito Gonçalves, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a suspensão da monetização de canais e veículos de informação como Brasil Paralelo, Foco do Brasil, Folha Política e Dr. News. A decisão estará em vigor até 31 de outubro, depois das eleições.
O magistrado também censurou previamente o documentário Quem Mandou Matar Jair Bolsonaro, produzido pela Brasil Paralelo. A multa diária pelo descumprimento da determinação é de R$ 500 mil.
No Twitter, políticos e internautas também repudiaram a decisão do TSE. “Ditadura” e “Ministério da Verdade” ficaram nos assuntos mais comentados do Twitter, nesta quarta-feira (19).
Confira o posicionamento dos veículos de comunicação:
Posicionamento da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert)
Por meio de nota, a Abert considerou preocupante a escalada de decisões judiciais que interferem na programação das emissoras, com o cerceamento da livre circulação de conteúdos jornalísticos, ideias e opiniões.
“As restrições estabelecidas pela legislação eleitoral não podem servir de instrumento para a relativização dos conceitos de liberdade de imprensa e de expressão, princípios de nossa democracia e do Estado de Direito”, afirmou a associação.
E continuou: “Ao renovar sua confiança na Justiça Eleitoral, a Abert ressalta que a liberdade de imprensa é uma garantia para o exercício do jornalismo profissional e do direito do cidadão de ser informado”, diz o texto da Abert.
Posicionamento da Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abratel)
A Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abratel) disse que, pleno centenário do Rádio no Brasil, não poderia deixar de vir a público manifestar sua preocupação com os atos que atingem o trabalho da livre imprensa.
“A recente decisão que impede o trabalho de divulgação e respeito à linha editorial de veículo de comunicação profissional, sediado no Brasil e regulado pela legislação brasileira atinge a todo o setor de Radiodifusão. Tal ato ignora a história da Televisão e do Rádio que esse ano comemoram 72 e 100 anos, respectivamente”, disse a Abratel, em nota.
A associação conclui dizendo que acredita que “qualquer decisão a ser tomada sobre esse tema seja tomada sempre em consonância com a preservação da liberdade de imprensa e do Estado Democrático de Direito”.
“Esperamos que as instituições respeitem a história dos veículos de comunicação profissionais sediados em nosso país.”
Posicionamento da Associação Nacional de Jornais (ANJ)
“Em se tratando de veículos jornalísticos, a ANJ se coloca contrária à censura à imprensa, que é vedada pela Constituição”, informou à CNN a Associação Nacional de Jornais.
Posicionamento da Jovem Pan
A Jovem Pan publicou um editorial nesta quarta-feira (19) a respeito da decisão do TSE. O veículo classificou a decisão da Justiça Eleitoral como censura.
“A Jovem Pan está, desde a segunda-feira, 17, sob censura instituída pelo Tribunal Superior Eleitoral. Não podemos, em nossa programação — no rádio, na TV e nas plataformas digitais —, falar sobre os fatos envolvendo a condenação do candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva. Não importa o contexto, a determinação do Tribunal é para que esses assuntos não sejam tratados na programação jornalística da emissora. Censura”, afirmou a Jovem Pan em editorial.
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